sábado, 7 de novembro de 2009

Barreiro - O Moinho Pequeno


Acrílico sobre tela 50 cm x 40 cm
Foto 1

Foto 2

MOINHO PEQUENO

Os moinhos de marés e de vento foram introduzidos na zona de Alburrica para a moagem de cereais e descasque do arroz e alguns destes moinhos fazem ainda parte do património cultural do concelho, como por exemplo o Moinho Pequeno (de marés) e os moinhos de Alburrica e do Jim (de vento).

O moinho pequeno com três pares de mós, foi construído em meados do século XVIII, tendo encerrado há muito tempo e encontrando-se, presentemente, em ruínas. Também este moinho moia trigo e nele se fabricavam ainda massas. Pertenceu a José Pedro da Costa. Está localizado junto do largo que lhe tomou o nome, isto é, Largo do Moinho Pequeno transversal à Rua Miguel Pais. É, actualmente, também, propriedade particular.

Julgamos ser oportuno divulgar aqui alguns extractos do que a revista UM OLHAR SOBRE O BARREIRO, nº. 3, publicou em Dezembro de 1985, pela pena do arquitecto Cabeça Padrão:

“MOINHO PEQUENO, Na Cidade, lado poente (o mais bem conservado dos 3)

Construído no Séc. XVIII (?). Tinha 3 moendas. Farinava cereais e nele se fabricavam, também, massas alimentícias. Pertenceu a José Pedro da Costa. Era de Joaquim do Rosário Costa em 1884. Desconheço quando deixou de laborar e em que condições.

Este poderia ser um excelentíssimo espaço museológico de arqueologia industrial e naval barreirense no seu período anterior à Revolução Industrial, como temos vindo a sugerir em reuniões na Câmara Municipal.

A recuperação deste moinho, integral e no seu funcionamento (sem a fábrica, é evidente), implica a recuperação da correspondente “caldeira”... QUE GRANDE SALA DE INSTRUÇÂO PARA AS ESCOLAS, E POPULAÇÂO EM GERAL."

Noutro ponto do seu artigo, escrevia o arquitecto:

“Acontece que esta área noroeste do Barreiro (Alburrica), ameaçada com aterros na sua textura – tendo em vista o equilíbrio ecológico do rio, a rara concentração exemplar de arqueologia industrial (moinhos de vento, moinhos de maré, estaleiros) , o excelente panorama de que o rio oferece, e ser ainda o logradouro urbano de maior vastidão e qualidade que o Barreiro possui – acontece que esta área, dizia, nos tem merecido de alguns anos a esta parte cuidados urbanísticos de preservação de natureza geográfica-cultural que, aqui e ali, temos vindo a predicar. Trata-se do último reduto da génese fundamental deste aglomerado urbano de pescadores que, por séculos, se processou no seu diálogo constante com o rio de que depende – pescadores, estaleiros, moinhos de maré e de vento, passagem de comércio entre o sul e a capital que fornece de serviços, mão-de-obra e matéria prima.

...

Em verdade, algo terá de ser feito nesta área tão sensível e, neste momento, em tão profundo estado de degradação. É urgente uma intervenção urbanística planificada...

Felizmente a Câmara Municipal do Barreiro é de maioria APU, o que significa a garantia dos superiores interesses populares em jogo.”

Isto dizia Cabeça Padrão em 1985. A Foto nº. 1, acima, é de 1984. O moinho pequeno ainda estava bem conservado como dizia o arquitecto. Hoje, vejam a Foto nº. 2, tirada em 2008, e o estado de completa degradação em que está o Moinho Pequeno. A incúria das autoridades é tal que não há palavras para classificar esta atitude. Dizia o arquitecto que estava tranquilo em 1985 por a C.M.B. ser de maioria APU. 25 anos depois, como deve o arquitecto estar às voltas debaixo dos torrões, e a maldizer a sua crença nessa força política. Nessa e porventura nas outras, pois ninguém é sensível à cultura, ninguém se manifesta em sua defesa.

E AGORA FORAM CONSTRUIR MESMO “EM CIMA” DO MOINHO PEQUENO E DENTRO DO RIO UM VERDADEIRO MAMARRACHO. SERÁ A ISTO QUE “ELES” CHAMAM “DEVOLVER O RIO ÀS PESSOAS?”

OU É, ANTES, METER AS PESSOAS DENTRO DO RIO? VESTIDAS E TUDO!!! OU MELHOR, DENTRO DO LODO!!!

5 comentários:

A.Tapadinhas disse...

Prometendo voltar a ver o seu blogue com mais tempo, desde já lhe deixo os meus parabéns.

Abraço,
António

Ana Gomes da Silva - Capikua disse...

Aqui venho responder ao convite que gentilmente me dirigiu...
Gostei de ver coisas bonitas da minha cidade, ainda por cima, a paisagem que vejo da minha janela.

Parabéns!

Ana Gomes da Silva

Álvaro Morgado disse...

De Álvaro Morgado para
Ana Gomes da Silva

Agradeço o seu amável comentário.
Só agora respondo porque tenho estado ausente.
Obrigado

Barreirosemprevive disse...

Caro amigo Álvaro, conforme sua recomendação aqui estou a ver o seu blog, cujo conteúdo merece a minha maior atenção, quer pela qualidade da mostra, quer pelo seu texto.
Um abraço e até sempre. João Cavaco

Álvaro Morgado disse...

Amigo Cavaco
Obrigado pelas suas amáveis palavras.
Os meus agradecimentos.

Álvaro Morgado